Como a ANPD pode mudar depois de virar autarquia especial

Fonte: LexLatin

 

Advogados avaliam que guardiã da LGPD pode ficar mais independente e livre de barganha política.


A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), entidade responsável pela fiscalização dos dispositivos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e que aplica punições a todos que não respeitarem a legislação, passa a ser uma autarquia especial. A mudança aconteceu por uma medida provisória, a 1124/22, publicada esta semana no Diário Oficial da União. Com isso, ela passa a dispor de autonomia técnica e decisória, patrimônio próprio, sede e foro fixados no Distrito Federal.


A medida prevê ainda que servidores da carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental passarão a integrar a ANPD. Com a edição da MP, o Congresso terá o prazo de 60 dias para analisar a medida. Contando com o recesso parlamentar, os deputados terão até 25 de agosto para analisar a mudança, prazo que pode ser prorrogado por mais 60 dias. Mas se não for apreciada até 10 de agosto, ela entra em regime de urgência, o que tranca a pauta do Legislativo.


Para advogados especializados no assunto, a alteração é um primeiro passo para tornar o órgão mais independente e eficiente.

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Bruno Guerra de Azevedo, sócio da área de Direito Digital e LGPD do SGMP Advogados, também considera que o órgão irá ganhar maior independência decisória.


“Ela será mais atuante e finalmente agir com uma menor pressão dos atores políticos, atingindo seu escopo social”.


Mas o advogado faz um alerta. “Caso não haja uma fiscalização por parte da sociedade e demais mecanismos de controle judiciais, administrativos, políticos e acadêmicos sobre as nomeações da ANPD, o órgão poderá ser ocupado por servidores sem formação adequada para tratar da temática da segurança de informação, comunicação e proteção de dados”, diz.


Para o advogado, o artigo 6º da MP define que a autarquia priorizou os pilares da governança e das políticas públicas, sem que, necessariamente, fosse resguardado um espaço para os servidores especialistas em ciência da computação, análise de dados, big data e outras áreas afins, o que pode comprometer a capacidade técnica e a tomada de decisões da autarquia.


Especialistas explicam que a MP pode, no fim das contas, ajudar a proteger a evolução da cultura da privacidade no Brasil.

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Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.


 

Bruno Guerra de Azevedo é sócio do SGMP+ Advogados.



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